1Co 2.14-16 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus... não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente... Mas o que é espiritual discerne bem tudo... Mas nós temos a mente de Cristo.


Quando Paulo escreveu à Igreja em Corinto ensinou-nos sobre os 3 tipos de homem: natural, carnal e espiritual. Diz ele

  • ·O homem natural não compreende as coisas do Espírito”;
  • ·havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens?”.
  • ·o homem espiritual discerne bem tudo”;

O homem natural não consegue entender as coisas de Deus simplesmente porque Deus não habita nele. Sua natureza espiritual é morte, trevas, cegueira. Dessa classe de gente saem os racionalistas céticos, os ateus, os agnósticos, os críticos da fé e da oração, os “juízes” de Deus. Nenhum deles jamais vai conseguir entender as coisas de Deus a não ser que Deus neles opere o milagre do Novo Nascimento. Paulo esclarece: “Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem”.

O homem natural é, em essência, ofensivo a Deus. Eis a lista de Paulo: “os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder... os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados”.

O homem carnal é aquele que nasceu de novo, em quem o Espírito habita, mas que procede como o homem natural. Na Igreja de Corinto a designação dos carnais sobressaia-se pelas divisões e contendas. Obras da carne não são produzidas pelo homem natural, mas pelo homem carnal.


Paulo diz “Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais” (Cl 3.5). Diz também “andai em Espírito, e não cumprireis as concupiscências da carne”. Toda pessoa que nasceu de novo começa a conviver com um inimigo que o homem natural não tem. A carne (e suas concupiscências) aparece fortemente quando o cristão deseja viver para Deus. Os desejos dela são quase uma “sina maldita”, dado que são fortes e implacáveis.

O homem espiritual, ao contrário, está aparentemente em “outra vida”. Discerne tudo, não é discernido, vive e anda em Espírito, agrada a Deus, vive para Deus. Pergunta interessante: onde encontrar algum exemplar desta espécie em extinção?

Nós, que vivemos na Igreja, lidamos com esses 3 tipos de pessoas. Fazer de cada pessoa alguém espiritual é o nosso alvo. Entre o homem natural e crente carnal, o pior delas, sem a menor dúvida, é o crente carnal. Conviver com crentes carnais é uma tarefa que Deus poderia ter-nos poupado.

Nos dias de hoje o inimigo tem utilizado de forma astuta seus “aliados dentro da Igreja”, os crentes carnais. Com o Evangelho Gospel sendo hoje mais um produto do que um estilo de vida, os crentes carnais reinventam a vida cristã a cada novo desejo.

Comento aqui alguns fermentos que a carne introduziu na Igreja, e quase já faz parte do pensamento do cristão hodierno.

1)  não concordo”: eis uma frase que revela algo errado no meio da Igreja. Por mais que a lógica ou razão humana apontem para a liberdade de expressão, num ambiente de unidade o Espírito de Deus leva todos a que “tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa”. A natureza humana, quando encontra seu espaço, impõe-se sobre todo contexto, deteriorando relações, criando tensões e prejudicando o desenvolvimento da obra de Deus, mais ainda quando as tensões carnais criam novos cenários e situações destrutivas e pecaminosas;

2)  vou aparecer”: crentes carnais dizem isso quando “marcam” compromisso que não pretendem cumprir. Não falam o que pensam, não querem dizer o que dizem. Usando expressões comuns nas pessoas do mundo, não tem intenção de ir, de aparecer, nem muito menos cumprir compromissos.

3)  Você é de que Igreja?... Bem, eu estou indo na...”: os crentes carnais não são de lugar algum, e estão em todo lugar. Contentam-se em ouvir uma palavra boa, em “Deus falou comigo”. São pessoas que toda hora querem ouvir Deus falar, mas nada de ouvir o que precisam ouvir. Parece que Deus vive lhes falando, mas esses crentes carnais nem pensam em obedecer; ouvem apenas para “ter direção”... e será que, de fato, ouvem a Deus?

4)  aquele irmão é muito...”: os crentes carnais não se importam em difamar alguém, em comentar algo pelas costas. Crentes carnais acham que falar de alguém, desde que seja de fato “verdade”, não tem nada de mais. É desses o ministério que mais cresce hoje – o ministério da mentira;

5)  eu estou salvo, e você vai pro inferno”: talvez a mais asquerosa característica de um crente carnal é ser dono da verdade. Ignorante acerca de si próprio e da imensidão da verdade, são os crentes carnais e seu boçal julgamento de tudo e todos que mais provoca resistência e aversão aos que não conhecem o Evangelho. Crentes carnais adotam postura julgadora, estando “inchado vãmente pelo seu entendimento carnal”;

6)  ela não tem a mesma visão que eu”: frase muito comum, usada por um marido que está “servindo” a Deus, mas a esposa não o respalda nem o apóia. Para crentes carnais não há problema algum “priorizar” a obra de Deus independente das conseqüências na família. O crente carnal tem uma fé incontestável e uma vida miserável. Sua vida não respalda o que crê, mas só ele não vê. Está à beira da separação (conjugal), os filhos estão revoltados, mas ele não percebe nem avalia nada, não é sensível nem ouve os gritos de sua vida em desordem.

Crentes carnais têm trazido terrível dano ao Evangelho. Longe de um discipulado que alcance seu caráter e sua espiritualidade, terminam influenciando a multidão de novos convertidos que estão adentrando na Igreja. Esses novos convertidos se surpreendem ao ver que a diferença dos “de dentro” para “os de fora” é... muito pouca! Se o padrão é viver longe do discipulado e ser carnal, teremos um rebanho de deformidades genéticas espirituais.

Ao leitor-líder conclamo: urge iniciar algum sistema ou formato de discipulado que permita perceber as inconsistências da vida do discípulo e, sobretudo, tratar seu caráter, levando-o ao arrependimento e ao reconhecimento de sua má conduta.

Ao leitor-discípulo: Deus o chama para ser alguém diferenciado. “Os que andam na carne não podem agradar a Deus”. Uma coisa é iniciar sua caminhada com Deus, nascendo de novo. Outra coisa é começar e não terminar: “Correi de tal maneira que o alcanceis”, diz Paulo. Quem vive segundo a carne morrerá. Quem vive segundo a carne não alcançará a coroa, não obterá o prêmio, não conseguirá perseverar até o fim.

Somente quem anda no Espírito pode agradar a Deus. Agradar a Deus é andar com Deus, andar como Jesus: “Aquele que diz estar nele também deve andar como Ele andou”. Ou andamos em Espírito ou não produziremos os frutos que agradam a Deus.

Filhinhos, ninguém vos engane; quem pratica a justiça é justo, assim como ele é justo”. Ou vivemos em Espírito e Deus é glorificado em nós, ou estragamos o Evangelho de Deus, e caímos na terrível condenação vaticinada por Paulo: “há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema”.

 

 



Escrito Qua, 13 de Abril de 2011 13:16 por Nils Bergsten

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